Publicado em: 08 de maio — 2018

A hipertensão e os olhos

Aferindo a pressão arterial

Pouca gente sabe, mas a pressão alta também pode afetar de maneira significativa a nossa visão. No texto que segue, alguns apontamentos sobre a relação da hipertensão com os olhos.

            Existem diversas doenças que, se mal-controladas, afetam gravemente os olhos a médio e longo prazo. A Hipertensão Arterial Sistêmica, mais conhecida como pressão alta, corresponde a uma delas. Essa patologia, caracterizada pela presença regular da pressão arterial igual ou maior que 14 por 9, interfere nos hormônios e nas musculaturas cardíaca e vascular, além de estar associada à patologias como infarto, acidentes vasculares cerebrais (AVC), à insuficiência renal e, sobretudo, à nossa capacidade visual. Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, “o coração e os vasos podem ser comparados a uma torneira aberta ligada a vários esguichos. Se fecharmos a ponta dos esguichos a pressão lá dentro aumenta. O mesmo ocorre quando o coração bombeia o sangue. Se os vasos são estreitados a pressão sobe.”

Órgãos afetados pela hipertensão arterial.
Órgãos afetados pela hipertensão arterial.

            Como a hipertensão é uma doença ‘silenciosa’, as alterações oftalmológicas podem ser as primeiras a se manifestarem, podendo servir como alerta para o tratamento desse problema. Um quadro de pressão alta pode afetar diretamente a retina, a qual é responsável pela transformação da luz em impulso nervoso que, recebido pelo cérebro, nos permite enxergar. Dessa forma, os vasos sanguíneos que a irrigam são da mesma forma afetados, comprometendo seu funcionamento. Essa condição é chamada de retinopatia hipertensiva, e dentre as alterações que podem ser apontadas, citamos a vasoconstrição, ou o estreitamento vascular, rompimentos e obstruções dos vasos. Quando há a obstrução da veia central da retina ou um dos seus ramos, também corre-se o risco de desenvolver uma trombose ocular devido à hipertensão.

            Com o agravamento da doença, alguns sintomas como deterioração da visão, maior sensibilidade à luz e dores de cabeça começam a aparecer. Além disso, podem ocorrer hemorragias e acúmulo de líquidos na retina, o que pode resultar num inchaço da mácula (pequena região da retina responsável pela visão de detalhes) e do nervo óptico. Quando não tratada, a retinopatia hipertensiva pode levar à perda de visão, principalmente, nos casos de hipertensão maligna e oclusões vasculares da retina. Para a realização do diagnóstico dessa doença, deve-se proceder com um  exame do fundo do olho em presença do diagnóstico prévio de hipertensão arterial sistêmica. Também é necessário realizar o mapeamento da retina, para avaliar os vasos sanguíneos da mesma.

            Por todas essas razões, é fundamental que os pacientes já diagnosticados como hipertensos realizem um exame oftalmológico completo a fim de detectar alterações causadas pela doença na visão. Outros sintomas como visão borrada ou alterações no campo visual também devem ser observados e acompanhados por um especialista, pois quanto antes for descoberta a doença, mais chances de sucesso terá o tratamento.

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